Foto: Otávio QueirozDurante a inauguração do primeiro Centro de Informação em Saúde e Clima do país e da Base Descentralizada da Força Nacional do SUS, em Salvador, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez um forte alerta sobre os impactos ambientais na população.
“A crise climática é, acima de tudo, uma crise de saúde pública. A face mais dolorosa das mudanças climáticas é exatamente o impacto sobre a saúde das pessoas”, afirmou o ministro.
Padilha relembrou episódios recentes como a tragédia climática no Rio Grande do Sul e a seca severa que atinge diversas regiões para ilustrar a urgência de ações integradas. Citando estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o ministro revelou um dado importante.
“Nos últimos 20 anos, a gente acredita que cerca de 120 mil pessoas morreram por conta da alteração na temperatura média”.
O ministro explicou também que o aumento das temperaturas afeta de forma imediata os grupos mais vulneráveis e interfere em tratamentos médicos essenciais.
“Idosos desidratam mais rápido, crianças desidratam mais rápido. A quantidade dos medicamentos que estão sendo utilizados pode ter uma descompensação nesses medicamentos, como anticoagulantes, anti-hipertensivos e remédios para diabetes”, alertou.
Planejamento e cruzamento de dados
Para enfrentar o cenário de tempo extremo, o Ministério da Saúde aposta no planejamento e no cruzamento de dados científicos. O novo centro inaugurado na Bahia será capaz de prever os impactos à saúde antes que eles se consolidem.
“A primeira ação é na capacidade de planejamento, de se antecipar. Pegar os dados do clima, como aumento de temperatura e projeção de estiagem, e cruzar esses dados com os da saúde”, explicou Padilha.
Investimento na Bahia
A estrutura baiana foi baseada em um modelo implementado com sucesso na cidade do Rio de Janeiro, em parceria com a prefeitura local e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que chegou a ser premiado internacionalmente na COP 30.
Além da prevenção, o governo federal busca dar celeridade ao atendimento de emergências com a nova Base Regional da Força Nacional do SUS em solo baiano. De acordo com o ministro, a estrutura vai transformar a agilidade do atendimento não apenas na Bahia, mas em todo o Nordeste, fixando equipes, drones e maletas de primeiros socorros na região.
“Isso faz com que você aumente a capacidade de resposta. A primeira base que nós inauguramos foi exatamente no Rio Grande do Sul e isso aumentou em 20 vezes a capacidade de resposta da Força Nacional do SUS”, explicou Padilha.
“Aqui na Bahia vai aumentar em 20 vezes a capacidade de resposta se tiver alguma tragédia na Bahia ou no Nordeste brasileiro”, concluiu o ministro.