Um restaurante de pequeno porte situado no município turístico de Itacaré, no sul da Bahia, foi identificado pelas autoridades federais como peça-chave em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro oriundo do narcotráfico operado no estado do Espírito Santo. A descoberta do braço baiano da organização criminosa ocorreu durante a deflagração da Operação Clean, coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/ES), que culminou no cumprimento de mandados judiciais e na prisão de 13 pessoas suspeitas de integrarem o grupo no país.
Entre os alvos capturados pelas forças de segurança pública está o homem que figurava formalmente como o administrador do estabelecimento gastronômico em Itacaré. De acordo com o relatório técnico da FICCO, o suspeito exercia uma função altamente estratégica e de extrema confiança dentro da engrenagem da facção, ficando encarregado não apenas da logística de distribuição de entorpecentes de alto valor agregado, com foco principal no haxixe, mas também da centralização de uma parcela expressiva dos lucros financeiros obtidos com o comércio ilegal.
O monitoramento dos investigadores apontou que o restaurante na costa do dendê era utilizado estrategicamente para integralizar e dar uma fachada de faturamento legal aos recursos financeiros provenientes da venda de drogas em solo capixaba. Os agentes federais constataram que o intenso fluxo de capitais movimentado pela quadrilha sustentava um cotidiano de luxo e ostentação desfrutado pelo administrador na badalada cidade litorânea baiana, destoando completamente da capacidade financeira presumida de um comércio de pequeno porte.
O início de toda a apuração policial ocorreu em julho de 2025, impulsionado por um flagrante em que um trabalhador da limpeza urbana (gari) foi interceptado transportando a quantia de R$ 300 mil em dinheiro vivo na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. A partir daquele episódio inicial, o setor de inteligência da Polícia Federal desfez o organograma do bando e rastreou minuciosamente as transações bancárias e patrimoniais que ligaram os criminosos do sudeste ao estabelecimento comercial baiano. Todo o inquérito e os materiais apreendidos permanecem sob custódia da Justiça Federal para o avanço dos desdobramentos processuais.