Agência BrasilMoradores de Salvador já sentem no cotidiano os efeitos das mudanças climáticas. É o que revela a pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa, divulgada parcialmente neste domingo (24), apontando que problemas financeiros, impactos na saúde e dificuldades de deslocamento estão entre as principais consequências percebidas pela população.
O estudo foi desenvolvido por equipes do Aurora Lab e da More in Common e será apresentado integralmente durante o encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia e Desenvolvimento”, marcado para a próxima quarta-feira (27), em São Paulo.
A capital baiana foi uma das nove cidades escolhidas para participar do levantamento sobre os efeitos da transição energética e da crise climática no Brasil.
Segundo os dados, 85% dos entrevistados afirmam já perceber mudanças relacionadas ao clima em suas vidas, enquanto 46% consideram que esses impactos são intensos.
Custo de vida e saúde lideram reclamações
Entre os principais problemas citados pelos moradores de Salvador e das demais capitais pesquisadas, o aumento no custo de vida aparece no topo da lista, mencionado por 53% dos participantes.
As dificuldades relacionadas à saúde física foram apontadas por 45% dos entrevistados. Já os obstáculos para chegar ao trabalho somaram 40% das respostas.
O levantamento também identificou reflexos na saúde mental da população. Cerca de 32% afirmaram sofrer algum tipo de adoecimento emocional relacionado aos impactos climáticos.
Outros efeitos mencionados incluem perda de renda (17%) e perda de emprego (10%).
Brasileiros defendem mudanças no modelo de consumo
A pesquisa mostra ainda que a maior parte da população acredita na necessidade de transformação dos atuais modelos de produção e consumo para enfrentar a crise climática.
Ao todo, 93% concordam que mudanças estruturais são necessárias, sendo que 74% disseram concordar totalmente com essa afirmação.
Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi a confiança depositada no poder público. Cerca de 67% dos entrevistados acreditam que o governo deve liderar ações de proteção aos trabalhadores diante dos impactos climáticos.
Além disso, 67% avaliam que a transição para energias limpas pode gerar mais empregos e oportunidades para a população.
Ciência segue como principal fonte confiável
Mesmo em meio à disseminação de fake news, universidades e cientistas continuam sendo as fontes mais confiáveis sobre clima para 69% dos entrevistados.
As redes sociais, porém, aparecem como principal meio de acesso às informações sobre mudanças climáticas para 65% da população.
O estudo ouviu pessoas com 16 anos ou mais entre maio e setembro de 2025 em nove capitais brasileiras: Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.