Marcello Casal Jr./Agência BrasilCelebrado em 29 de maio, o Dia Mundial da Saúde Digestiva convida à reflexão sobre os hábitos alimentares da população e os impactos diretos do consumo excessivo de produtos ultraprocessados na saúde intestinal e no organismo como um todo. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, associado à redução da ingestão de produtos naturais e tradicionais da cultura alimentar brasileira, tem preocupado profissionais da área da saúde.
Alimentos como aipim, inhame, couve, feijões e frutas frescas, antes presentes de forma mais frequente na mesa dos brasileiros, vêm sendo substituídos por produtos industrializados, ricos em açúcar, sódio, conservantes e aditivos químicos. Além de mais acessíveis financeiramente, esses produtos são amplamente impulsionados pela publicidade e acabam se tornando parte da rotina alimentar desde a infância.
De acordo com o médico e naturopata Aureo Augusto, uma alimentação baseada em ultraprocessados pode provocar digestão inadequada, inflamações intestinais e alterações no funcionamento do intestino, como prisão de ventre. Além disso, a baixa ingestão de fibras — presentes em frutas, verduras, legumes e cereais integrais — compromete o equilíbrio das bactérias intestinais e reduz a absorção adequada de vitaminas e minerais essenciais ao organismo. Em seu canal no Youtube, o médico oferece um curso gratuito sobre práticas naturais saudáveis para o dia a dia.
Outro ponto de alerta é a alimentação infantil. Com frequência, crianças são expostas precocemente a biscoitos recheados, refrigerantes e produtos industrializados, o que pode favorecer o desenvolvimento futuro de doenças como diabetes e hipertensão arterial. A exposição contínua a sabores intensos e artificiais também dificulta a reeducação alimentar ao longo da vida. “A mudança começa dentro de casa e pelo exemplo dos adultos. Ter frutas disponíveis, substituir refrigerantes por sucos naturais, valorizar alimentos tradicionais como aipim, inhame e cereais integrais são atitudes importantes para promover saúde digestiva e qualidade de vida”, sugere Aureo Augusto.
A naturopatia surge como uma aliada nesse processo ao incentivar uma alimentação mais integral e natural, baseada principalmente no consumo de frutas, legumes, verduras, leguminosas e cereais integrais. Além da alimentação, a naturopatia utiliza recursos terapêuticos complementares, como hidroterapia, geoterapia e uso de chás digestivos preparados com plantas conhecidas popularmente por auxiliarem no sistema digestivo, como erva-cidreira, erva-doce e orégano.
A abordagem também propõe uma reflexão sobre hábitos de vida, emoções e padrões de comportamento relacionados à saúde. A máxima “somos aquilo que comemos” reforça a importância de escolhas alimentares mais conscientes e equilibradas no dia a dia.