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Datafolha: 68% dos endividados dizem acreditar que vão se beneficiar com o Desenrola 2



Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil


O percentual fica bem acima dos daqueles que avaliam o governo como ótimo e bom entre os endividados (31%)


Pesquisa Datafolha mostra que 68% dos endividados brasileiros dizem acreditar que vão se beneficiar pessoalmente do Desenrola 2, e uma fatia ainda maior, de 82%, vê impacto positivo para a economia como um todo do novo programa de renegociação de dívidas do governo Lula.

O percentual fica bem acima dos daqueles que avaliam o governo como ótimo e bom entre os endividados (31%) ou aprovam o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (46%).

Mesmo entre os não endividados, 39% afirmam ver benefícios para suas finanças pessoais e 73% para a economia em geral, também acima dos 30% que veem o governo como ótimo e bom e dos 45% que aprovam o trabalho de Lula.

Entre os mais otimistas com a segunda edição do programa, que foi lançado no dia 4 de maio, estão os mais jovens, os moradores do Nordeste e os eleitores do presidente Lula (PT).

Esse foi o cenário capturado pelo levantamento, que ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios de todo o país entre os dias 12 e 13 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, quando considerada a amostra total de entrevistados.

O programa vai durar 90 dias e já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas bancárias. É uma das dezenas de medidas do pacote de bondades do governo Lula, que busca a reeleição neste ano. Para garantir aos bancos o pagamento das dívidas renegociadas em caso de calote, o governo anunciou um aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações, administrado pelo Banco do Brasil. Também foi autorizado o uso de até R$ 8,2 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pelos devedores.

O novo Desenrola, que prevê descontos de até 90% e juros limitados a 1,99% ao mês, demorou alguns dias para ganhar impulso, com parte dos bancos aguardando trâmites finais para as garantias do fundo garantidor contra calotes e também limitações para quem opta por parcelar a dívida na negociação. Algumas instituições chegaram a oferecer inicialmente apenas pré-cadastros aos interessados. O programa pode ser usado por pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105 mensais).

O uso do FGTS também atrasou e só poderá ser feito a partir do dia 25, cerca de 20 dias após o lançamento do programa. Trabalhadores podem usar até 20% do saldo disponível na conta ou até R$ 1.000 (o que for maior), para pagamento parcial ou integral das dívidas bancárias renegociadas.

A pesquisa Datafolha mostra que mais de 6 em cada 10 brasileiros (62%) tomaram conhecimento do programa.

EFEITOS NA ECONOMIA

Considerando-se endividados e não endividados, 77% dos brasileiros afirmam estar otimistas com os efeitos sobre a economia, e eles se dividem entre 49% que dizem acreditar que a atividade se beneficiará muito e 28% que irá se beneficiar um pouco. Dos ouvidos, 17% dizem que a economia não irá se beneficiar e 5% não souberam responder.

Quando são considerados os 53% que dizem acreditar que sentirão no bolso os impactos positivos do novo Desenrola, 34% afirmam que se beneficiarão muito e 19% um pouco. Por outro lado, 4 em cada 10 brasileiros dizem que não se beneficiarão pessoalmente do programa.

A pesquisa investigou ainda a percepção dos brasileiros sobre os impactos positivos para seus familiares: 33% afirmam acreditam que serão muito beneficiados, 20% um pouco, 41% que não irão se beneficiar e 6% não souberam responder.

ELEITORES

O componente político tem forte peso sobre a opinião dos entrevistados sobre o programa. Dos que declaram voto em Lula, 64% dizem acreditar que irão se beneficiar, ante 44% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os moradores do Nordeste, onde o petista tem um desempenho melhor nas pesquisas, 62% afirmam acreditar que se beneficiarão pessoalmente do programa.

JOVENS MAIS OTIMISTAS

Os dados mostram ainda que o otimismo com a segunda edição do Desenrola para as finanças pessoais é maior entre os mais jovens, com destaque para a faixa etária entre 25 a 34 anos, na qual 60% dizem acreditar que o programa será benéfico. Para aqueles com mais de 60 anos, esse percentual cai para 42%.

Aqueles que ganham até dois salários mínimos são os mais otimistas com o impacto do Desenrola sobre as finanças pessoais (61% dos ouvidos dizem que se beneficiarão muito ou um pouco do programa).

O redesenho do Desenrola ocorre em um momento em que o aperto financeiro segue ditando o orçamento doméstico.

O Datafolha mostra que a posse de dívidas —englobando empréstimos com bancos e financeiras, faturas de cartão de crédito, uso do limite do cheque especial e financiamentos— atinge 47% dos ouvidos.

QUEM TEM DÍVIDA

O índice dos endividados é mais elevado entre os que têm entre 25 e 34 anos (56%), entre os que residem em regiões metropolitanas (52%) e entre os evangélicos (50%).

Entre os brasileiros que admitem estar endividados, uma fatia considerável (62%) relata que os compromissos financeiros já se transformaram em inadimplência, com parcelas e contas em atraso em atraso.

Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias brasileiras em relação à renda atingiu 49,9% em fevereiro, o maior patamar da série, iniciada em janeiro de 2005. A inadimplência dos consumidores estava em 5,3% em março, segundo a autoridade monetária.

O país tem 83,3 milhões de brasileiros com o nome sujo, segundo dados de abril da Serasa, que incluem dívidas bancárias e não bancárias. Por segmento, as principais dívidas não honradas são com bancos (27,4% do total), contas de água, luz e gás (20,9%), financeiras (19,8%) e serviços (11,
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