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Lazzo elege ‘14 de Maio’ como símbolo da conexão Brasil-África e luta contra mazelas sociais



Foto: Rafael Mota / bahia.ba



O cantor Lazzo Matumbi, voz emblemática da música baiana, refletiu sobre a carga histórica e política de suas apresentações no Pelourinho. Com uma carreira pautada pela conexão com o continente africano, o artista destacou que retornar ao palco principal do Carnaval do Largo do Pelourinho é um ato de afirmação e dignidade para o povo negro.

“A gente sabe, historicamente, que aqui foi o lugar onde muitos dos nossos familiares, dos nossos ancestrais, morreram e derramaram muito sangue. Então, hoje, quando a gente vem cantar, a gente vem ressignificar toda essa história com dignidade, dizendo e mostrando que, apesar dos pesares, continuamos firmes e fortes”, afirmou Lazzo.

Após relembrar o passado de violência de um dos principais pontos turísticos e coração da africanidade na capital baiana, o cantor reforçou uma mensagem de autoestima. Segundo ele, no seu retorno ao Pelourinho ele leva “a qualidade de África e dos seus afrodescendentes na diáspora, de uma forma bacana e decente, com orgulho de sermos o que somos”.

Música que transforma

O artista elegeu a composição “14 de Maio” como símbolo dessa união cultural entre Brasil e África. A letra, que narra o dia seguinte à abolição da escravidão, serve como base para um chamado à responsabilidade coletiva diante das injustiças sociais.

Lazzo destacou que seu papel no palco vai muito além do entretenimento. “Não é uma questão da comunidade negra, mas é uma questão da sociedade brasileira que diz exatamente assim: ‘No dia 14 de maio eu saí por aí, não tinha trabalho, nem casa, nem para onde ir’.”

“Hoje a gente tá voltando no Pelourinho para cantar isso e para convocar toda a sociedade para a gente junto derrubar essas mazelas como racismo, feminicídio, fascismo, racismo, violência”, disse.

Justiça social

Para o cantor, o momento atual de sua carreira, que incluiu a participação nesta sexta-feira (13) no show de Marcia Short, das 21h às 22h30, no Circuito Batatinha, é uma oportunidade de fortalecimento político e social. Ele encerrou reafirmando o propósito de sua arte. “A gente tá aqui exatamente para fortalecer uma energia de criar ou construir um país mais digno e mais justo”, concluiu.
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