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‘Paz não volta’, afirma filho após 3ª condenação por Mãe Bernadete




Jurandir Wellington Pacífico, filho da líder quilombola (Foto: Reprodução)

O Tribunal do Júri de Salvador condenou, nesta terça-feira (13), Josevan Dionísio dos Santos a 28 anos de reclusão em regime inicial fechado pelo homicídio da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete, ocorrido em agosto de 2023 no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.

Presidida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, na 1ª Vara do Tribunal do Júri do Fórum Ruy Barbosa, a sessão marcou a terceira condenação referente ao crime, somando-se às penas aplicadas em abril aos réus Arielson da Conceição dos Santos (40 anos) e Marílio dos Santos (29 anos).

Família de Mãe Bernadete ainda vive sob ameaças

Em conversa com o bahia.ba sobre o desfecho do julgamento, o filho da líder quilombola, que também é gestor cultural e líder comunitário, Jurandir Wellington Pacífico, reconheceu os avanços da Justiça com a responsabilização dos executores, mas ressaltou a apreensão contínua diante da atuação de grupos criminosos na região e das ameaças sofridas pela família.

“Sentimento de justiça que está sendo feita. A família vem aí sofrendo desde 2017 com o assassinato de Binho do Quilombo e, sete anos depois, minha mãe ser assassinada também”, pontuou Jurandir Pacífico ao bahia.ba.

“Em relação a Mãe Bernadete, está se fazendo justiça, não posso dizer que não. Mas tranquilidade não traz não. A gente está diante de um cenário bastante complicado”.
Insegurança na comunidade

Jurandir relatou a ausência de moradores do quilombo no fórum durante o julgamento devido a proibições impostas por facções que atuam na área, relembrando episódios de intimidação registrados em sessões anteriores.

“Desta vez não foi ninguém pelo lado do quilombo porque eles proibiram. A gente está à mercê do ‘Estado paralelo’. Você viu que no primeiro julgamento foram lá e picharam minha casa, picharam a igreja. A gente não sabe se vai ter retaliação ou se vão pichar de novo para querer amedrontar a família”, desabafou.

Apesar das pressões territoriais, o filho de Mãe Bernadete enfatizou que o trabalho social e institucional em benefício das comunidades tradicionais permanece ativo por meio do Instituto Mãe Bernadete, que assegurou recente aprovação em editais de fomento.

“A gente está mantendo, sim, buscando sempre políticas públicas não só para o Quilombo Pitanga dos Palmares, mas para os demais quilombos. O Instituto Mãe Bernadete está aí firme e forte, com alguns projetos. Recebi a notícia de que fomos aprovados em mais um edital. Então, a gente está continuando com o legado; o legado continua para toda aquela comunidade”, concluiu Jurandir.
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