Rui Costa
Um gesto inesperado marcou o discurso de despedida de Rui Costa (PT) da chefia da Casa Civil, nesta quinta-feira (2), durante agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas obras do VLT de Salvador.
Em meio a um discurso carregado de emoção e balanço de sua trajetória política, Rui protagonizou um momento que pareceu um sinal de trégua na relação com o senador Jaques Wagner (PT). Nos bastidores, é conhecida a disputa por espaço entre os dois dentro do PT baiano.
Ao relembrar sua história de vida, marcada pela infância humilde no bairro da Liberdade, o ex-ministro surpreendeu ao chamar Wagner ao palco com um “venha aqui, Wagner”, puxando-o pelas mãos em um gesto simbólico de proximidade, atitude que contrasta com o histórico recente de divergências entre ambos por influência na legenda.
“Tudo isso nós construímos ao longo dos [anos]. Cada um tem seu estilo, tem sua forma. É da natureza humana. Um time se faz de pessoas diferentes. O goleiro tem que ser diferente do centroavante. O meio de campo tem que ser diferente do lateral. Nem todo mundo é igual. Mas é a soma das diferenças que nos faz mais fortes. E esse cara aqui começou tudo”, afirmou Rui, olhando diretamente para o senador.
O movimento pode ser interpretado como um aceno de pacificação, ainda que pontual, em meio às articulações políticas que já miram as eleições de outubro, quando Rui deve disputar uma vaga no Senado e Wagner a reeleição. O gesto, ainda que simbólico, adiciona um novo capítulo à complexa relação entre duas das principais lideranças do PT na Bahia, agora sob os holofotes de um ano eleitoral decisivo.
Durante o discurso, Rui também fez questão de destacar o desempenho do governador Jerônimo Rodrigues, reforçando sinais de alinhamento político e afastando, ao menos publicamente, especulações sobre um eventual retorno ao Palácio de Ondina.
“Esse jovem aqui tá correndo a Bahia feito um cão. Ele andou, em quatro anos, mais do que eu e o Wagner corremos juntos. Ele é foguete, trabalhando, danado. E é um orgulho, presidente, de quem nasceu nesse morro e nunca esqueceu de manter os pés no chão. E como minha mãe me ensinou, com humildade e com fé em Deus, você vai chegar muito longe na vida”, disse.