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Kim Jong-un rejeita desarmamento nuclear do país






Kim Jong-un discursa no parlamento da Coreia do Norte, durante apresentação de prioridades políticas


O ditador norte-coreano Kim Jong-un afirmou que seu país fortalecerá permanentemente suas forças nucleares e tratará a Coreia do Sul como o país mais hostil. As afirmações foram feitas em discurso ao parlamento, nesta terça-feira (23), em apresentação de prioridades políticas.

Kim disse que o status de Pyongyang como estado com armas nucleares é irreversível e que expandir uma "dissuasão nuclear de autodefesa" é essencial para a segurança nacional, a estabilidade regional e o desenvolvimento econômico.

Ele rejeitou a ideia de que o desarmamento nuclear poderia ser trocado por benefícios econômicos ou garantias de segurança, afirmando que a Coreia do Norte já provou que manter forças nucleares enquanto busca o desenvolvimento é a escolha estratégica correta.

"A realidade mundial atual, onde a dignidade e os direitos de estados soberanos são impiedosamente violados por força e violência unilaterais, ensina claramente qual é a verdadeira garantia da existência e da paz de um estado", disse Kim no discurso à Assembleia Popular Suprema, o parlamento submisso do país comunista.

"As armas nucleares dissuadiram a guerra e permitiram que o país concentrasse recursos no crescimento econômico, na construção e na melhoria do padrão de vida", acrescentou.

Analistas na Coreia do Sul afirmaram que os comentários equivalem a uma crítica indireta à ação militar dos EUA contra o Irã.

"Essas circunstâncias reforçaram o argumento de longa data de Pyongyang de que as armas nucleares são essenciais para dissuadir intervenções externas e salvaguardar a sobrevivência do regime", disse Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos.

Kim ainda acusou os Estados Unidos e seus aliados de desestabilizar a região ao posicionar ativos nucleares estratégicos perto da península coreana, mas disse que a Coreia do Norte não se vê mais como um país sob ameaça e possui o poder de ameaçar outros, se necessário.

Kim disse que a Coreia do Sul foi "reconhecida como o país mais hostil" e alertou Seul de que qualquer tentativa de violar a soberania da Coreia do Norte será enfrentada "impiedosamente, sem hesitação ou contenção".

Os comentários são o mais recente sinal do endurecimento da postura de Pyongyang em relação a Seul, desde que Kim abandonou décadas de política que buscava a reunificação pacífica e passou a redefinir as relações com o Sul como sendo entre dois países hostis.

Lim Eul-chul, da Universidade Kyungnam, disse que a linguagem "efetivamente retira da Coreia do Sul qualquer status remanescente como nação compatriota" e vai além da retórica passada voltada a isolar Seul diplomaticamente.

Em vez disso, marcou uma "declaração negando a própria legitimidade da Coreia do Sul como contraparte", afirmou.

A Casa Azul, sede da presidência sul-coreana, disse nesta terça que as declarações de Kim são "indesejáveis para a coexistência pacífica", acrescentando que apenas o diálogo e a cooperação podem garantir segurança mútua e prosperidade na península coreana, informou a agência de notícias Yonhap.

Além da política de segurança, Kim delineou prioridades econômicas, convocando autoridades a implementar plenamente um novo plano de desenvolvimento de cinco anos focado na modernização da indústria, no aumento da produção de eletricidade e carvão, na elevação da produção de alimentos e na expansão da construção habitacional em todo o país.

A Coreia do Norte é um dos países mais pobres do mundo, com uma economia fortemente sancionada e escassez crônica que deixou grande parte de sua população dependente de rações estatais e mercados informais, segundo avaliações internacionais.

A sessão parlamentar adotou emendas à constituição e aprovou legislação endossando o novo plano econômico quinquenal.

Os parlamentares também aprovaram um orçamento estatal para 2026 que eleva os gastos com defesa para 15,8%, com recursos explicitamente alocados para expandir a dissuasão nuclear e as capacidades de combate, de acordo com um relatório orçamentário separado divulgado na sessão.

A assembleia ouviu uma mensagem de congratulações do presidente russo Vladimir Putin, que elogiou a liderança de Kim e prometeu aprofundar a parceria estratégica abrangente entre Moscou e Pyongyang.

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