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Dólar abre em alta nesta sexta após Trump adiar ultimato ao Irã por 10 dias






Investidores acompanham novo dia de bombardeios entre Israel e Irã


O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (27) com os investidores acompanhando mais um dia de ataques entre Israel e Irã, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que adiou por 10 dias o ultimato antes de atacar o sistema energético iraniano.

Às 9h08, a moeda norte-americana subia 0,33%, cotada a R$ 5,2750. Na quinta-feira (26), o dólar fechou em alta de 0,69%, a R$ 5,255, e a Bolsa caiu 1,45%, a 182.732 pontos.

As movimentações tiveram como pano de fundo temores sobre a guerra no Irã e a manutenção do bloqueio no estreito de Hormuz, via por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e GNL (gás natural liquefeito).

"O mercado acompanha o desencontro de notícias: ora o cessar-fogo está avançando, ora não está. Isso traz muita incerteza e volatilidade, o que explica a realização desta sessão", diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Em mais um sinal de que a conflito está longe de um desfecho, Israel afirmou ter matado o chefe do braço naval da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, responsável por coordenar a militarização e o bloqueio do estreito de Hormuz.

A informação foi dada nesta quinta pelo ministro Israel Katz (Defesa) e ainda não foi confirmada pelo Irã.

Tagsiri cuidava da tática da teocracia em relação a Hormuz. Os iranianos vetam a passagem de navios considerados associados aos inimigos, ameaçando explodi-los, e provavelmente minaram parte da região.

Com mais de 90% do tráfego interrompido, os preços do petróleo dispararam e voltaram a superar US$ 100 o barril na quinta. O repasse para combustíveis —e o possível repique inflacionário em decorrência disso— tem elevado a pressão econômica sobre o presidente Donald Trump a poucos meses da eleição de meio de mandato.

O republicano tem buscado acalmar o mercado com anúncios de negociações que Teerã ora nega, ora afirma que são recados indiretos passados por terceiros. Mas existe um movimento mínimo em curso, que fez a chancelaria chinesa dizer nesta quinta que há "um vislumbre de esperança" para a paz.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os negociadores iranianos estão "implorando" por um acordo.

"Eles estão 'implorando' para que façamos um acordo, o que deveriam estar fazendo, já que foram militarmente aniquilados, sem nenhuma chance de recuperação, e ainda assim declaram publicamente que estão apenas 'analisando nossa proposta'. ERRADO!!! É melhor que levem isso a sério logo, antes que seja tarde demais, porque quando isso acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será nada bonito!", escreveu.

Autoridades do governo americano também afirmaram que os EUA enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar a guerra. Segundo o jornal The New York Times, a proposta incluiria o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do apoio a grupos aliados como o Hezbollah, que atua no Líbano, e a reabertura do estreito de Hormuz.

O Irã voltou negar quaisquer negociações entre os países. Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari disse, na quarta, que uma trégua não está no horizonte.

"Esse ambiente tende a favorecer a saída de capital de mercados emergentes, valorizando o dólar", diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.

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