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Anvisa vai à China conhecer hospitais com IA e quer acelerar regulação no Brasil







Pacientes internados no hospital da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quer acelerar o regramento de hospitais inteligentes, aqueles integrados a uma rede de serviços de IA (inteligência artificial), após o governo federal negociar aporte para a construção da primeira instituição do tipo na rede pública na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Representantes da agência e do Ministério da Saúde viajaram para cidades chinesas com o objetivo de conhecer hospitais que usam inteligência artificial e utilizá-los como referência de boas práticas.

Para a construção da instituição, o ministério negociou investimento de US$ 300 milhões (R$ 1,57 bilhão, na cotação atual) no Novo Banco de Desenvolvimento, a instituição financeira dos Brics da qual a ex-presidente Dilma Rousseff está à frente, para a criação de uma Rede Nacional de Hospitais Inteligentes.

O chefe da pasta, ministro Alexandre Padilha, estima que o hospital seja finalizado até 2029 e não vê risco de prejuízo na entrega caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não seja reeleito neste ano. Padilha afirma que o projeto já está em andamento e que compromissos que garantem a conclusão foram assinados. Além do hospital inteligente, um financiamento do governo federal prevê o funcionamento de 14 UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo).

"O nosso foco era conhecer e fazer parcerias, assinar parcerias de compromisso, troca de informações, formação de equipe, poder fazer visitas técnicas e receber visitas técnicas e parcerias com diferentes tipos de hospitais inteligentes", disse Padilha à Folha.

O regime chinês coloca em suas prioridades a integração entre serviços médicos e IA, privilegiando, assim, o desenvolvimento de instituições inteligentes. Também faz parte da política de Estado o incentivo ao uso da IA na saúde, em áreas como diagnóstico clínico, tratamentos, monitoramento, equipamentos e acesso a especialistas.

Hospitais em Shenzen, uma das cidades visitadas pela comitiva da Saúde, são pioneiros no uso de inteligência artificial para laudos de exames, por exemplo. A comissão local de saúde afirma que a tecnologia diminui o tempo de espera de resultados e aumenta a precisão dos diagnósticos.

A integração entre rede digital, inteligência artificial e serviços de saúde tem como objetivo, segundo Padilha, acelerar o diagnóstico de casos graves, reduzir o tempo de internação, facilitar o monitoramento de pacientes, permitir o intercâmbio entre profissionais de diferentes instituições e agilizar a realização de exames, entre outros.

Para acelerar a regulamentação de hospitais inteligentes, a Anvisa decidiu incluir o tema no Comitê de Inovação, que tem como objetivo aumentar a celeridade de processos regulatórios que correspondam a pré-requisitos como iniciativas brasileiras e de grande interesse público, entre outras. O comitê foi o responsável, por exemplo, pela aprovação do início da fase 1 dos estudos da polilaminina.

Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, afirma que a regulamentação servirá como base para o uso da IA em hospitais públicos e privados.

"A questão é onde temos as melhores experiências e de onde podemos trazer para o Brasil as melhores práticas para a instalação de hospitais inteligentes. Há experiências interessantes acontecendo", disse à reportagem.

O diretor afirma que a agência também pretende inserir a inteligência artificial no dia a dia dos funcionários para acelerar processos, como de avaliação e liberação de novas drogas. "Ela não substitui o técnico", diz. "Mas pode entrar em diversas etapas do nosso processo."

Hoje, o regramento para a aplicação da IA na saúde é fragmentado entre as instituições competentes, como o CFM (Conselho Federal de Medicina), o Ministério da Saúde e a Anvisa.

A visita à China faz parte de um giro feito pela agência e pelo ministério em busca de países de referência que já possuam a IA integrada a instituições de saúde. Padilha e Safatle, por exemplo, fizeram parte das viagens de Lula para a Coreia do Sul e a Índia, onde também se informaram a respeito do funcionamento de hospitais do tipo.
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