Foto: Edgar Luz/ bahia.baA cantora Daniela Mercury, que vive um Carnaval especial ao comemorar os 30 anos do álbum Feijão com Arroz, afirmou que sempre há o que reinventar na folia momesca, especialmente na Bahia, durante a abertura oficial da festa, nesta quinta-feira (12), no Campo Grande.
“Os baianos são muito inventivos. Estou na terra de Dona Canô, na terra de Carlinhos Brown, de tanta gente extraordinária. Agora, de qualquer jeito, todas as gerações do axé já inventaram muita coisa. A gente está aí com o pagode. A gente comemora 40 anos do axé, com variações como o samba-reggae, que Neguinho do Samba criou”, relembrou uma das grandes musas do Carnaval baiano.
No ano em que o tema definido para a festa é “O Samba Nasceu na Bahia”, a artista ressaltou a importância de celebrar a invenção do samba-reggae e o legado de Neguinho do Samba.
“É preciso reiterar isso, porque as gerações vão chegando e a gente acaba esquecendo que, há pouco tempo, ele foi criado. Criar algo tão especial é difícil. Precisa ter coragem também de sair de um lugar para o outro, como eu fiz”, acrescentou.
O início do circuito Dodô
Junto com seu álbum, o circuito Dodô, mais conhecido como Barra-Ondina, também comemora 30 anos de criação em 2026, impulsionado por um movimento artístico da própria Daniela.
“Foram cinco anos até estabelecer exatamente o percurso lá de baixo. Estava escuro, não tinha luz, não tinha imprensa. Fiz o Camarote Daniela Mercury para levar as pessoas e a imprensa para lá, para terem onde ficar. Depois que outros fizeram camarotes, o circuito se consolidou. Quando eu fui para a Barra, fui com o intuito de abrir espaço, não só para mim, mas para vários artistas novos. E a gente abriu”, afirmou.
“Agora eu já voltei, subo e desço para reforçar os dois circuitos, porque acho que não devemos perder a grandiosidade e a importância histórica desse circuito, que eu amo. Fiz mais de 15 anos aqui em cima e depois continuei a fazer, não prioritariamente. Mas, na terça-feira, vou estar aqui de novo”, acrescentou.
Daniela afirmou que, neste ano, resolveu abrir e fechar o Carnaval desfilando no circuito Osmar (Campo Grande), com o intuito de revitalizar o percurso. “Estamos lutando para a rua ficar mais bonita. Já chegamos lá à Praça Castro Alves, com tantos hotéis novos. O Brasil está na moda, a Bahia está na moda. Eu ando na praia e vejo turistas de todo lugar”, pontuou.
Novos circuitos
Sobre a possibilidade de expandir o Carnaval para novos circuitos, a cantora disse que isso precisa ser um movimento espontâneo e relacionado aos artistas. “O que um artista faz ganha importância; o que uma entidade carnavalesca faz ganha tradição. É a cidade que gera o movimento cultural do povo, dos blocos”, respondeu.
A artista também destacou a importância de valorizar blocos e instituições tradicionais da festa. “Quero reforçar também os grupos antigos, como As Mulheres e As Filhas de Gandhy, por exemplo. Ainda não tive tempo este ano de reforçá-las pessoalmente, mas já falei com elas. Acho que precisamos lembrar de todas as instituições femininas que inauguraram o Carnaval. Sempre falamos nas homenagens, mas, no dia a dia, precisamos resgatar essa história. Viva o Ilê Aiyê, viva o Olodum, viva todo mundo que mantém o samba vivo”, afirmou.
“Nós todos somos sambistas, prioritariamente, independentemente de fazermos músicas mais animadas. Eu mesma sempre disse isso e vou celebrar cantando também o Feijão com Arroz. São muitas celebrações e um repertório muito especial. Hoje vou cantar Clara Nunes, Beth Carvalho e também meus samba-reggae, porque deles eu não largo”, concluiu.
